À Nini, aka Mulheres Estejam Caladas, aka Pastora Maria Eduarda Castanheira (Nini, dava jeito assumires uma designação concreta na net):
quando afirmas que conheces "
essa teologia que encolhe os ombros ao sofrimento humano" estás a fazer um juízo de valor. Ao qual tens direito. Mas que é tremendamente sério porque acusa todos (inclusive eu) de não fazermos o bem que tu fazes. Acho bem que se creia no valor das acções que praticamos mas eu não me daria ao luxo desta simplificação. Classificas uma interpretação de um texto bíblico como "
a desculpa de que pobres sempre os tereis", como quem diz que estas palavras específicas de Jesus têm menos valor do que as outras que apontas (a tal conveniência ideológica que referi anteriormente). Com a embalagem desse pressuposto reduzes o meu pensamento "
a ideia evangélica dualista embuída de filosofia grega", como se em algum lugar tivesse desligado o corpo do espírito. E depois resvalas, como se não tivesses lido o que escrevi, para o tal bento braço de ferro: o que sabes tu da minha vida para poderes avaliar se convivo ou não com a pobreza? A partir de que ponto na conversa tens como certo que eu não pratico a caridade cristã? Por não defender a Teologia Liberal que abraças? Isso só demonstra a arrogância moral da tua interpretação bíblica: todos os que não falam o que tu falas estão a baldar-se ao amor que Jesus pregou. Como deves compreender quebras a hipótese de diálogo pois remetes-me imediatamente para um julgamento pessoal. Repara, quando polemizo com o teu escândalo com as minhas palavras (e foi aí que as coisas começaram, convém lembrar) nunca me coloco em promiscuidades condenatórias. Porque não discuto a tua vida, porque nem sequer a conheço assim tão bem, porque não fazes parte da minha igreja local (e logo não tenho nenhum compromisso contigo e mesmo que fizesses nunca o discutiria em público, fora da comunidade). O que aprendo deste debate é que mesmo para pessoas com formação teológica é fácil não respeitar uma discussão teológica. O ataque pessoal está sempre à mão. Em verdade, nunca discutiste comigo (não respondeste a uma única das críticas que fiz à Teologia Liberal). Só me acusaste. Parece-me que desejas mais ver roupa interior que convicções de fé.
À Hadassah,
concordo contigo.
À Physis,
como piada esteve bem mas não passa de uma boca e sem fundamento pelo que expliquei acima à Nini.
Ao Terráqueo Intergaláctico,
quando diz "
o exemplo que Jesus nos dá do segundo mandamento consiste basicamente em limpar as feridas e pagar as contas do próximo" está a chegar a uma conclusão à qual não chego. Pelo que já expliquei no post da polémica à Nini. Há muitas outras coisas que Jesus fez e disse e que não estão nesse "
basicamente".
Ao Luís,
(reparem, o Luís faz parte do Desafio Miquéias e está aqui a discutir porque, parece-me, quer realmente entender a minha crítica) o facto de eu não conhecer o contexto do aparecimento do DM não me tira a possibilidade de formular um juízo de valor quanto às consequência da iniciativa. Volto a frisar que nunca fiz apreciações sobre os preponentes do DM e suas intenções.
Ao Penedo,
eu não sou contra o DM. Pessoalmente não o assinaria e não teria nada com ele mas isto não significa que ache que ele devia evaporar-se. Há tantas coisas que existem e devem continuar a existir com as quais não tenho afinidade. Se há coisa que continuo sem compreender no convívio entre evangélicos portugueses é este escândalo com a diferença. Qual o problema de cada um fazer o ministério que crê que Deus lhe deu e conviver perfeitamente com um irmão que faz um ministério completamente diferente com a mesma convicção?
À Vilma,
creio que a resposta já está dada. Não sou de ping-pongs de passagens bíblicas. O facto de haver muitas outras passagens em que Jesus assume palavras de dissensão, de divisão, de convivência com a pobreza e afins só nos deveria oferecer humildade quando reduzimos o Evangelho a "basicamente" ser a causa que nos fascina no momento.