Thursday, December 25, 2008

O fim deste blogue

Este blogue nasceu no rescaldo do fim de uma colaboração com o Semeador Baptista. O momento era de alguma amargura e o tom pessimista. Esses foram os alicerces.
Este blogue cumpriu essa função de lamento constante. Agora o tempo mudou. É ocasião de deixar que outro espírito conduza as palavras. Mesmo que me queixe não quero partir de luxos pessimistas.
Foi preciso um comentário de um leitor desconhecido a dizer: "o nome do seu sítio é um pouco aterrador, não acha?". E não é que acabei por concordar?
Falar da fé cristã é um privilégio que não quero poluir com murmurações prévias. Coisas excelentes aconteceram por aqui e outras das quais me arrependo. Claríssimo para mim é a necessidade de um novo tom: o Deus que faz criancinhas estremecer no ventre é o que me motiva a seguir com alegria. A partir de hoje estarei aqui.

Monday, December 15, 2008

Uma opinião pessoal

Acho que o Pedro Leal devia ser pregador. Algo que corre naquela família e que nos faz muita falta. Reparem neste post dele a simplicidade, a objectividade, a clareza e, essencial também, a graça. Certo que há muito que se pode discutir a partir deste breve parágrafo. Mas está lá demasiado do que os nossos púlpitos precisam para que nos demos ao luxo de convivermos com o Pedro apenas na blogosfera.

"Quando Wycliffe, Hus, Valdo e Lutero, entre tantos, leram a Bíblia, deram de caras com uma série de discordâncias entre a tradição religiosa em que viviam e a dos Apóstolos, registada nas Escrituras. Perante as versões díspares, muitas vezes inconciliáveis, tiveram que optar. E escolheram a tradição mais próxima de Cristo. O problema não é, pois, a tradição. O problema é quando a tradição deixa de ser o que era."

Monday, December 08, 2008

Balthasar

O teólogo católico suiço Hans Urs von Balthasar (que a Assírio agora publicou em "Só O Amor É Digno De Fé" na sempre excelente colecção Teofanias) não é propriamente acessível. Mas uma voz teológica essencial do Século passado.

"A teologia especulativa dos Padres da Igreja e da Idade Média sistematizou esta dualidade profética (Antigo e Novo Testamento), transpondo-a para a ordem cosmológica (...); a teologia antropológica dos tempos modernos centrou-a em torno da existência humana e, por isso, enfraqueceu-a, em parte com categorias psicológicas e pedagógicas, em parte com categorias (dialécticas) de uma lógica existencial."


Vivemo-lo nas nossas comunidades. Mais debilitadas face a qualquer moda. Com uma Palavra continuamente dissecada por qualquer disciplina socialmente respeitável (que daqui a 20 anos será declarada obsoleta). Balthasar afirma sem simplismos pagãos que "o texto de Deus deve e quer explicar-se a si mesmo".
Um livro a não perder.

Thursday, December 04, 2008

E como em 1908 Chesterton põe os ridículos da Modernidade e da Pós-Modernidade a nu

"O lógico louco procura tornar lúcidas todas as coisas, e consegue torná-las a todas misteriosas. O místico permite que uma coisa seja misteriosa, e tudo o resto se torna lúcido".
"O novo céptico é de tal maneira humilde, que duvida de ser sequer capaz de aprender".
Profecia.

Wednesday, December 03, 2008

Ontem

Estive numa reunião do GBU a falar sobre Media.

Thursday, November 27, 2008

Respondendo às perguntas do Cavaleiro Andante

Não tenho por hábito responder a anónimos mas abro aqui uma excepção (a maior parte dos comentadores deste blogue assina sob nicks mas conheço-os).

- Pergunta 1: o que é que a música tem de baptista ou cristã?
A resposta depende de uma audição e de uma leitura das letras. A minha convicção é que se não fosse cristão, mais especificamente baptista, nunca poderia escrever o que escrevo. Não posso todavia fugir a um padrão, que até hoje se foi repetindo: entre os cristãos evangélicos a minha música sempre foi considerada religiosa de menos e entre os pagãos sempre foi considerada religiosa demais.

- Pergunta 2: Porque essa necessidade de publicitar a denominação?
Porque tenho todo o orgulho do mundo em ser baptista. Pelo que representa no passado, pelo que representa no presente (ainda que me queixe com frequência dele) e pelo que representará no futuro. Mais orgulho tenho ainda em me afirmar cristão baptista junto dos que não crêem. É uma graça que me é dada.

- Pergunta 3: Será que há aí um intuito evangelístico?
Se entender "intuito evangelístico" como creio que na maior parte das vezes ele é entendida pelos evangélicos, então não, não há intuito evangelístico. Eu não prego nos concertos. Não oro. Não faço apelo. Não dou testemunho. Distingo um concerto de um sermão. Quem me quiser ouvir pregar a Palavra encontra-me ao Domingo na Igreja. Quem vai a um concerto vai para ouvir a minha música. Levo a música e a pregação demasiado a sério para que as misture.
Se entender "intuito evangelístico" do modo como acho que deveria ser entendido, então sim, há intuito evangelístico. O melhor que a minha música poderá fazer é aproximar alguém da Palavra. Se alguém confessar o nome de Jesus tendo as minhas cantigas um papel intermediário isso será a maior alegria que poderei ter.

Não me parece que não tenha encaixado a ironia. Confesso, todavia, que acho suspeito o tom de ambiguidade de alguém que não diz ao que vem. É cristão? Evangélico? Já ouviu a música? Tem uma visão prévia sobre o tema?
Relaxe. Saia do armário de apresente-se. Eu sou o Tiago Cavaco. Toma um chazinho comigo?

Thursday, November 20, 2008

Dois Baptistas

Hoje há dois baptistas no Frágil e amanhã haverá dois baptistas na capa do Ípsilon do Público.

Wednesday, November 12, 2008

Ponto da situação

À Nini, aka Mulheres Estejam Caladas, aka Pastora Maria Eduarda Castanheira (Nini, dava jeito assumires uma designação concreta na net):
quando afirmas que conheces "essa teologia que encolhe os ombros ao sofrimento humano" estás a fazer um juízo de valor. Ao qual tens direito. Mas que é tremendamente sério porque acusa todos (inclusive eu) de não fazermos o bem que tu fazes. Acho bem que se creia no valor das acções que praticamos mas eu não me daria ao luxo desta simplificação. Classificas uma interpretação de um texto bíblico como "a desculpa de que pobres sempre os tereis", como quem diz que estas palavras específicas de Jesus têm menos valor do que as outras que apontas (a tal conveniência ideológica que referi anteriormente). Com a embalagem desse pressuposto reduzes o meu pensamento "a ideia evangélica dualista embuída de filosofia grega", como se em algum lugar tivesse desligado o corpo do espírito. E depois resvalas, como se não tivesses lido o que escrevi, para o tal bento braço de ferro: o que sabes tu da minha vida para poderes avaliar se convivo ou não com a pobreza? A partir de que ponto na conversa tens como certo que eu não pratico a caridade cristã? Por não defender a Teologia Liberal que abraças? Isso só demonstra a arrogância moral da tua interpretação bíblica: todos os que não falam o que tu falas estão a baldar-se ao amor que Jesus pregou. Como deves compreender quebras a hipótese de diálogo pois remetes-me imediatamente para um julgamento pessoal. Repara, quando polemizo com o teu escândalo com as minhas palavras (e foi aí que as coisas começaram, convém lembrar) nunca me coloco em promiscuidades condenatórias. Porque não discuto a tua vida, porque nem sequer a conheço assim tão bem, porque não fazes parte da minha igreja local (e logo não tenho nenhum compromisso contigo e mesmo que fizesses nunca o discutiria em público, fora da comunidade). O que aprendo deste debate é que mesmo para pessoas com formação teológica é fácil não respeitar uma discussão teológica. O ataque pessoal está sempre à mão. Em verdade, nunca discutiste comigo (não respondeste a uma única das críticas que fiz à Teologia Liberal). Só me acusaste. Parece-me que desejas mais ver roupa interior que convicções de fé.

À Hadassah
,
concordo contigo.

À Physis,
como piada esteve bem mas não passa de uma boca e sem fundamento pelo que expliquei acima à Nini.

Ao Terráqueo Intergaláctico
,
quando diz "o exemplo que Jesus nos dá do segundo mandamento consiste basicamente em limpar as feridas e pagar as contas do próximo" está a chegar a uma conclusão à qual não chego. Pelo que já expliquei no post da polémica à Nini. Há muitas outras coisas que Jesus fez e disse e que não estão nesse "basicamente".

Ao Luís
,
(reparem, o Luís faz parte do Desafio Miquéias e está aqui a discutir porque, parece-me, quer realmente entender a minha crítica) o facto de eu não conhecer o contexto do aparecimento do DM não me tira a possibilidade de formular um juízo de valor quanto às consequência da iniciativa. Volto a frisar que nunca fiz apreciações sobre os preponentes do DM e suas intenções.

Ao Penedo,
eu não sou contra o DM. Pessoalmente não o assinaria e não teria nada com ele mas isto não significa que ache que ele devia evaporar-se. Há tantas coisas que existem e devem continuar a existir com as quais não tenho afinidade. Se há coisa que continuo sem compreender no convívio entre evangélicos portugueses é este escândalo com a diferença. Qual o problema de cada um fazer o ministério que crê que Deus lhe deu e conviver perfeitamente com um irmão que faz um ministério completamente diferente com a mesma convicção?

À Vilma,
creio que a resposta já está dada. Não sou de ping-pongs de passagens bíblicas. O facto de haver muitas outras passagens em que Jesus assume palavras de dissensão, de divisão, de convivência com a pobreza e afins só nos deveria oferecer humildade quando reduzimos o Evangelho a "basicamente" ser a causa que nos fascina no momento.

Sunday, November 09, 2008

Sim, Pastora Maria Eduarda Castanheira, o Evangelho não é a luta contra a pobreza

Por uma questão de representatividade a participação da Nini no post sobre o Desafio Miquéias era essencial. Urgia ouvir uma voz abertamente protestante liberal. Ora, a Nini opina segundo as suas convicções, estando nos antípodas das minhas. Que os "evangelhos estão cheios de advertências contra os ricos e a sua vida de cegueira para com as necessidades dos mais fracos" nós sabemos e não negamos. O que Jesus respondeu "ao rico que queria herdar a vida eterna" também recordamos. Nunca nos esquecemos do exemplo "da viúva pobre". Não ousamos negar que "Jesus sempre se compadeceu das necessidades físicas daqueles que com ele se cruzavam", nem a "teologia nas curas, multilpicações e ressurreições" mas discordamos absolutamente da "escolha de Deus pelos órfãos, estrangeiros e viúvas". A Nini, cheia de boas intenções (o grande mal da Teologia que representa) abre o evangelho criteriosamente para justificar as suas opções ideológicas. Deus não optou pelos "órfãos, estrangeiros e viúvas". Deus optou por cada um de nós, pecadores condenados. Jesus morreu tanto pelo mendiga quanto por mim que sou um miúdo mimado criado nos bancos da igreja. Mas isto, à Nini, claramente mais próxima da segunda categoria que da primeira, não convém reconhecer porque perderia o alvo primordial da sua Teologia: o ataque às igrejas evangélicas doutrinariamente conservadoras.
A Nini, que encontrou na Teologia Liberal o calor suave da aprovação secular que o fundamentalismo evangélico não permite, deveria olhar para as Escrituras com menos selecções prévias. O Evangelho-Floribella que representa ("andar pelas ruas e reparar no olhar perdido das pessoas que vivem pelas ruas de Lisboa", "as histórias de vida de mulheres que vendem o corpo porque lhes roubaram a alma", "o vazio, a alma anestesiada") usa o velho truque de reclamar para si a prática das boas obras para poder condenar todos os restantes a, básica e sucintamente, serem uns pulhas sem coração. Uma espécie de braço de ferro entre escuteiros, para ver quem soma mais boas acções. À Teologia Liberal não resta muito mais porque de facto os seus salões estão vazios (filantropia por filantropia há lugares mais divertidos que igrejas) e a perspectiva dos conservadores convencerem mais pessoas que eles deixam-nos face a manobras desesperadas. Acontece que, para a Nini e para qualquer Teólogo Liberal, assumirei sem qualquer sombra de problema o papel de pulha sem coração (e perco de propósito nesse bento braço de ferro). Isto porque abro as Escrituras com menos selecção prévia e recordo a passagem em que Judas, o homem da bolsa, censurou a mulher que, também ela pulha e sem coração, esbanjava perfumes aos pés de Jesus sem qualquer pudor filantrópico. Antes do Bono Vox e do Desafio Miquéias já o bom Iscariotes desbravava caminho.
Eu perdoo à Nini que se escandalize e perca as palavras com as minhas convicções. Perdoará ela a Jesus por ter consentido com a perenidade dos pobres? E ninguém, nas insondáveis alturas da Teologia Liberal, lhe explicou que ser mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha que um rico na Eternidade não é a mesma coisa que o Céu estar de portas escancaradas para quem apresente um certificado de baixos rendimentos? Falta protestantismo a estes velhos protestantes. Tanto criticaram Roma que acabaram fazendo da mais básica obra benemérita a garantia da sua Salvação. Pobre indulgência a vossa.

Friday, November 07, 2008

A Rute

Conheci a Rute num casting para a "Luz das Nações". Acusava os nervos mas sobretudo mostrava empenho e vontade de trabalhar em televisão. Meses depois já apresentava o programa. No Dia do Evangélico, com o Pavilhão Atlântico cheio, a Rute, que na altura assinava Alves e não Cruz, andava de um lado para o outro a entrevistar pessoas e as pessoas olhavam para ela. Alta, elegante, prontíssima. Ao estarmos ao lado dela sentíamo-nos também o centro das atenções.
Deus levou a Rute e Deus guarda-a agora.


Tuesday, November 04, 2008

O profeta que me perdoe

[Este post foi escrito a 17 de Outubro. Resolvi retirá-lo porque não me pareceu sensato publicá-lo durante a campanha. Alguns dos responsáveis pelo Desafio Miquéias são meus amigos e chegam mesmo a comentar aqui no Pranto - o caso do Luís Calaim. O esforço destas pessoas não pode ser desvalorizado por diferenças ideológicas. Embora esteja longe do espírito desta iniciativa saúdo o Luís e tantos outros, detentores nos últimos anos de um testemunho de trabalho, altruísmo e verdadeiro espírito cristão. Não estando com eles neste tema, sou enriquecido pelos seus exemplos.]

Convém usar de prudência ao comentar a avassaladora chegada do Desafio Miquéias. A luta contra a pobreza é uma consequência do Evangelho, não há dúvida. Mesmo cá e embora sendo poucos, as comunidades evangélicas têm tradição de assistência social. Os pentecostais combatendo a toxicodependência; o Exército de Salvação com o seu lema de sopa, sabão e salvação; escolas e lares de idosos patrocinados por igrejas espalhados um pouco por todo o país. Mais, numa nota pessoal. Eu próprio sou abençoado por ter os meus filhos numa escola de fundação evangélica com uma intervenção social fortíssima. Isto para afirmar que nenhum cristão pode ser indiferente à miséria material dos outros. Uma relação pessoal com Cristo não convive bem com a penúria. Mas. Há um mas. A luta contra a pobreza não é o Evangelho. Confundir consequências com conteúdo é o risco desta campanha.
Há razões que nos levam a compreender que ciclicamente cristãos de matriz conservadora sejam confrontados com mensagens de cariz socialmente interventivo. Porque inquestionavelmente podem adormecer para estes assuntos. E o Evangelho urge a despertá-los. Depois de anos a ganhar visibilidade em todo o mundo mas sobretudo nos Estados Unidos, os evangélicos querem demonstrar que não são só doutrina e louvor, folclore e mandamentos. Esta ressaca explica que hoje todos queiramos ser reconhecidos como, no fundo, cidadãos normais. Não desejamos ficar presos a excessos, à desfavorecida imagem pública daqueles que como o Presidente Bush reclamam para si o nome de evangélicos. Por isso libertamo-nos. Muitas vezes com naturalidade. Outras de modo tremido. Outras ainda com mais pathos que ethos. Que o Desafio Miquéias use frases do Bono Vox dos U2 é de uma ironia tão deliciosa que, enquanto miúdo do roque-enrole, preciso de me esforçar para não me empanturrar no burlesco da situação e me abandonar ao cinismo. Hoje among evangelicals urge abraçar as causas do mundo para afirmar claramente que não somos assim tão diferentes. Há Igrejas a passar o filme do Al Gore e pastores que durante anos foram seduzidos pelo dólar montados agora num corcel anti-americano. O mínimo que se aconselharia era contenção e humildade.
Há, na minha leitura, uma desvalorização implícita (em alguns casos explícita) da mensagem da Salvação pessoal através de Jesus Cristo neste contexto. As gerações mais jovens que estão a ser entusiasmadas por uma mensagem que os preserva cool entre os seus colegas de Liceu serão as que responderão daqui a algum tempo acerca dos resultados. Aborrece-me sobretudo entender que o problema da pobreza mundial seja despachado a toque de explicações simplistas de remorso ocidental. Com apreço profundo pelos responsáveis da Campanha (muitos meus amigos) e pelo esforço colocado nela, declinaria assinar a sua declaração (ninguém me deu o papel para a mão, apraz-se dizer com justiça). Como disse Jesus, Secretários-Gerais da ONU sempre os tereis convosco.

Thursday, October 30, 2008

Remates doutrinários

Parece-me que o David Cameira descreve predestinação e eleição como "rebuscados e eruditos remates doutrinários" face aos conceitos de "missão integral, missão encarnacional". Pois. Julgo que entendo. Não é preciso dizer que discordo em absoluto do David. O Nuno, que mergulhou fundo no Calvinismo, responde coisas importantes que eu próprio desconheço - é lê-lo. De qualquer modo é sintomática esta desvalorização doutrinária face aos valores emergentes da actual praça evangélica. Já escrevi sobre isso nesta troca de opiniões com o Pastor Alan Pallister.
Simplificando e exemplificando: sem doutrinas e sem confissões há sentimentos religiosos ao sabor do vento. Será que os evangélicos que hoje se abrem a temas como missão integral, mordomia ecológica ou anti-consumismo se abrem da mesma maneira ao tema da, apenas por exemplo, ética reprodutiva? Ou seja, será a contracepção um assunto encerrado pela leitura das Escrituras? Não me parece. Após 40 anos da encíclica Humanae Vitae encontro escassíssimos protestantes a reflectirem sobre o assunto, convictos que o planeamento familiar via contraceptivos foi uma beatitude do Sermão do Monte. Explico. Escolhemos selectivamente as causas que nos convêm. E hoje as que o David refere estão em alta. O que é, de facto, contra-cultura? Ser ecologista? Talvez seja dureza do meu coração mas enquanto os pregadores que me sermonizam contra o materialismo forem pais de famílias burguesas de dois filhos não contem com grande arrependimento da minha parte.

Monday, October 27, 2008

Ontem

Pela primeira vez na vida preguei 3 sermões no mesmo dia. Em Moscavide, em S. Domingos de Benfica e em Setúbal. Isto não é nada para o antigamente, onde pastores e missionários faziam pequenas expedições geográficas para falar do Evangelho a pessoas em sítios remotos. Tantas vezes a pé, tantas vezes a grupos pequeníssimos.
Já não ia à Igreja Baptista de Setúbal há perto de 10 anos. Foi muito bom estar com aqueles irmãos. E com o Pastor Mário Conrado e família. A Igreja tem daqueles grupos de jovens que cada vez é mais complicado encontrar: cantando, dirigindo, lendo a Palavra. Levando a coisa a sério. E uma igreja local, no sentido em que esmagadora parte da congregação vive ali perto. Lembrou-me dos meus tempos de Queluz.

Wednesday, October 22, 2008

Ponto da situação

Pedro,
não quero (e não posso) chover no molhado quanto a discutir catolicismo contigo mas afirmares que Fátima é o baluarte da resistência católica caracteriza com precisão a medida hiper-regional da tua apreciação sobre o catolicismo.
Luís,
o que posso fazer? Não crês. Ok. Limito-me a ler e a achar que o que vejo faz sentido. Outros haverá como tu e outros haverá como eu. Deus nos ajude a todos.
Não quero ir mais longe do que devo mas parece-me que quando se fala de catolicismo aqui o que é necessário é divã, não discussão.

O tal texto da First Things escrito por Richard John Neuhaus

""Continuing the list of surprises about Catholicism," Benne writes, "ten percent of all Protestants are former Catholics but eight percent of Catholics are former Protestants. That eight percent represents a considerable number, around five million. Converts to Catholicism usually are far more intense about their faith than cradle Catholics, so I suspect that this eight percent injects new vigor into the Church." He also notes that a striking number of Catholic converts are prominent intellectuals. A young man who is active in Catholic ministries at an Ivy League university speaks warmly of their cooperation with evangelical ministries such as Campus Crusade for Christ. Ecumenical cordiality, however, does not preclude an element of evangelistic rivalry. "The big difference," he says, "is that they aim at the weakest Catholics while we aim at the strongest evangelicals." The claim is that evangelicals who are more theologically versed and religiously committed are more open to Catholicism, while Catholics who become evangelicals were, for whatever reason, alienated from Christianity. Put differently, religiously serious evangelicals are more likely to become Catholic, while religiously lapsed Catholics are more likely to become evangelicals".

É ler. Pode-se discordar. Mas as suas assunções parecem-me bastante razoáveis. Eu tiro algumas lições disto. O texto completo pode ser lido aqui.

Tuesday, October 21, 2008

Sobre o mercado das conversões

Não há como despertar o fantasma do catolicismo para os protestantes portugueses abrirem a boca. Calma. Vou transcrever a parte do artigo em causa para compreenderem melhor ao que me referia. De qualquer modo parece-me pacífico que o catolicismo tem atraído sobretudo uma elite protestante, que tem poder de encaixe para ver para além do folclore católico que geralmente impede a maioria de sequer se aproximar (ver o caso de Frank Beckwith, antigo presidente da Evangelical Theological Society, que mencionei aqui, por exemplo).
Sou abertamente pró-católico, no sentido em que respeito a Igreja Católica Romana e admiro-a em muito. Mas já me deu mais para fraquezas de identidade. Infelizmente (porque ninguém é protestante por felicidade - ser protestante é lamentar a necessidade de reformar a Igreja para além daquela existente) continuo a achar que a Reforma é urgente. Sola fide, sola gratia, sola scripta. E essas coisas.
Tenham a benevolência de pensar num aspecto apenas, para exemplo final. Há muitos evangélicos cansados de uma liturgia fácil, desenraizada, ao sabor das tendências. Essa ausência de entusiasmo estético (estar bem na igreja é também achar que o que se passa ai é bonito) é o que motiva muitos protestantes a acharem que pelo menos a Igreja Católica está protegida na sua tradição, culto e estilo. Claro que há muito mais em causa (a teologia, a História, entre tantos) mas que isto é relevante, é. Não sei se terá muito valor esta confissão mas se me aproximasse hoje do Cristianismo pela primeira vez e fizesse uma digressão pelas várias confissões duvido que encontrasse grande consolo na maior parte das igrejas protestantes evangélicas. Mas isto sou eu que se calhar tenho a mania dos livros e essas intelectualidades.
Continuem que a conversa está agradável e voltarei assim que puder.
E por favor não se armem em virgens ofendidas com expressões "mercado", "transferências", etc etc. Aposto que quando vêem o Gato Fedorento se riem de coisas piores.

Sunday, October 19, 2008

Das transferências

Vem na First Things do mês passado. Apesar da cordialidade interconfessional entre cristãos diz-se que em termos do mercado da conversão os evangélicos conquistam católicos fracos ao passo que os católicos conquistam protestantes fortes. Para além de ter graça não posso negar que me assustou a veracidade da constatação.

Saturday, October 18, 2008

Uns poucos

Terão lido na sexta passada um post que escrevi sobre o Desafio Miquéias. Resolvi tirá-lo. A campanha decorre e merece ser atendida de coração aberto. Possivelmente voltarei a republicar o texto. Mas por enquanto you're on your own.

Monday, October 13, 2008

Os dois senhores

A Katy Perry que canta "I Kissed A Girl And I Liked It" é filha de pastores pentecostais e o primeiro álbum dela é cristão. Pode cantar muitas coisas mas o que verdadeiramente lhe sai dos lábios é a necessidade de misericórdia de Deus.

Monday, October 06, 2008

Na têvê

Este programa sobre o Pastor Samuel Faircloth é imperdível. Conciso e eloquente. Uma lição sobre o Protestantismo em Portugal.
A mente por detrás destes sete minutos e meio é a do Fernando Ascenso.

Tuesday, September 23, 2008

Resposta ao Pastor Alan Pallister

Caro Pastor Alan Pallister,
em primeiro lugar deixe-me escrever que é um prazer esta conversa. Não querendo exagerar o tom de lamentação devo dizer que vejo com pena que nenhum dos pastores com mais experiência se envolva num diálogo franco na blogosfera. Há coisas boas e coisas más mas é certamente inspirador podermos ter alguém com um ministério que o precede a colocar-se aberto para uma discussão.
Concordo em absoluto quando diz que "não há muito de realmente novo naquilo que Vinoth diz". A necessidade de integralidade é inerente à mensagem cristã e encontramo-la em Paulo, nos Pais da Igreja, na Idade Média, nos Reformadores, nos Puritanos e até na Moral Majority americana. Sabemos que o excesso de ênfase é próprio das igrejas evangélicas, que necessitam sazonalmente deste tipo de realces, como que para satisfazer a sua necessidade de "novidades". Se houvesse uma reflexão histórica mais frequente nas nossas lideranças este sentimento de descoberta da pólvora tornava-se menos aborrecido. Mas não é aqui que a ignorância sobre a História termina.
As explicações posteriores de Vinoth acerca da salvaguarda do seu não-liberalismo são para mim reveladoras. Não quero cair no erro de julgá-lo previamente sem um conhecimento profundo de quem é e do que prega mas é costumeiro que aqueles que optam deliberadamente por pregar enfaticamente os excessos do individualismo ocidental (escolhem voluntariamente o seu adversário ao fazê-lo) volta e meia tenham de corrigir o tom. Como quem diz, "no final de contas eu ainda não sou assim tão liberal". O facto é que se dedicam a essa batalha: entre uma defesa equilibrada de uma doutrina e o ataque aos excessos de uma má-leitura escolhem a segunda. Respeito que outros se dediquem a essa luta mas no final não devem derramar lágrimas quando se aperceberem que paralelamente enfraqueceram os alicerces da sua própria adesão a esse corpo histórico teológico. O que é o Liberalismo Teológico se não uma justa crítica aos excessos de uma Igreja acomodada que mais tarde acaba por redundar em heresia?
Não caio no erro de vislumbrar hierarquias baptistas. Não creio em hierarquias baptistas. Ou melhor, creio nas hierarquias que as próprias assembleias baptistas aceitam (faço tanto parte de uma hierarquia baptista como o Pastor Pallister, na medida em que sou mandatado pela minha comunidade para um trabalho específico de estudo e ensino da Palavra). O que lamento, e que já mencionei no início, é o que me parece o indesculpável alheamento dos Pastores mais experientes deste tipo de reflexões. Existe, na minha perspectiva um adormecimento. Achamos que esta recente ênfase no trabalho social é casual? Que não tem um contexto teológico subjacente? Como se podem dar ao luxo os nossos mestres de não identificar os benefícios e os perigos de uma mensagem que fascina a nova geração? O facto de os blogues surgirem como meio privilegiado deste debate deve levar a classe pastoral a uma humildade de pelo menos estar atenta. E não indiferente. Não devo exagerar o tom apocalíptico mas creio que males futuros existirão numa medida muito mais irreversível graças a esta indiferença das nossas lideranças.
De modo algum desejo atacar o Seminário Teológico Baptista. Reconheço que o modo como escrevo pode muitas vezes induzir essa interpretação e por isso peço sabedoria a Deus para uma batalha que travo diariamente: firmeza e clareza. O STB foi a minha escola. Trouxe excelentes coisas de lá mas também frustrações. No entanto tenho boas relações com as pessoas que lá servem. Ainda no mês passado estive no Acampamento Baptista com o seu Director, o Pastor Paulo Pascoal, e pude partilhar algumas opiniões. Poderei divergir em orientações da Escola mas reverencio o serviço que o Pastor Paulo Pascoal aí presta. É uma pessoa idónea e dedicada. É importante que nós baptistas mostremos uma capacidade de diálogo efectiva. Tanto se fala de diálogo com o mundo. Que tal diálogo entre os próprios baptistas? Sei que alimentei o meu próprio estilo de big mouth mas nada está perdido. O facto do Pastor Alan Pallister se ter predisposto para este diálogo na net só pode ser um prenúncio de coisas melhores.
Aceite o meu abraço.

Wednesday, September 17, 2008

Nuno Fonseca em excelente forma

Tuesday, September 16, 2008

Pastor Tiago Oliveira em excelente forma

Wednesday, September 10, 2008

Still Vinoth

Entretanto o Pastor Alan Pallister já me respondeu aqui. Agradeço e volto ao tema logo que me seja possível.

Wednesday, September 03, 2008

Em que o aluno paternaliza o professor (ou as fomes evidentes da Rede Miquéias)

O que andei a perder. O Pastor Alan Pallister envolveu-se num debate com Vinoth Ramachandra. Não vou ter a ousadia de entrar agora na coisa com a seriedade que se impõe (este é um blogue pouco preciso). Mas não posso evitar um comentário (que espero não demasiado cínico). As questões que o Pastor Alan Pallister coloca, na minha perspectiva completamente justificadas, só pecam por inocência. Que o Pastor Alan Pallister (que foi meu professor no Seminário Teológico Baptista) encarne a primeira reacção de um sacerdote baptista português aos encantos da nova geração de reflexão evangélica é o facto realmente extraordinário. Como classificar este alheamento dos nossos mestres em relação a uma Teologia, certamente diferente da que nos ensinaram, que nos entra pelos olhos diariamente? É compreensível que o GBU a aceite sem grande capacidade crítica: na sua História o GBU sempre favoreceu uma identidade em oposição à rotina das igrejas (isto não é uma reprovação, é uma interpretação).
Li o referido artigo de Vinoth Ramachandra por alto. Mas, Céus, está lá a cantilena toda: anti-ocidentalismo, relativização pós-moderna da Teologia sistemática (trust me, i've been there too), namoro ao trabalho social. Não há ninguém que, pelo menos, recorde uma mínima lição da História? O Liberalismo Teológico não é o papão que me fizeram crer nos tempos do seminário (li o Bultmann e foi óptimo). Mas lá que vai voltar a fazer estragos entre os protestantes disso não duvidem.

O Conservador no Éter

Olhem aqui o baptista a falar na rádio da juventude. Como diz o Nuno Fonseca, poderíamos chamar ao fenómeno emergentar por aí.

Sunday, August 17, 2008

Entretanto, na América

Um pastor evangélico (o nosso muito conhecido Rick Warren) meteu os dois candidatos presidenciais à sua mesa e fez-lhes perguntas. O resto do país assistiu.
Podem começar por aqui e ir seguindo a conversa.

Wednesday, August 13, 2008

Pequei

Fui fraco interlocutor do Acampamento, é verdade. Não por não ter ligado o portátil (cheguei mesmo a fazê-lo repetidamente durante palestras na capela).
Onde me falhou a inspiração poderei atingir o perdão?

Tuesday, August 05, 2008

Mekié?

Cá estou a representar directamente do bar do acampamento. Deita-se tarde porque as conversas esticam-se para a madrugada. Não há nada como Água de Madeiros.

Tuesday, July 29, 2008

Experiência

Geralmente encerro os blogues em Agosto. Mas como vou estar na primeira semana do mês no Acampamento Baptista creio que experimentarei blogar ao vivo a partir de lá.
Fixe?

Wednesday, July 23, 2008

Still alive

O facto de recorrentemente escrever aqui sobre o movimento da Igreja Emergente não se trata de uma simples embirração, mais um mero pranto e ranger de dentes (até porque ao longo do tempo tenho tentado verter lágrimas com conteúdo, apontando razões para as minhas tristezas). É minha convicção que não podemos ser ingénuos ao ponto de achar que as formas são isentas, desprovidas de conteúdo. Qualquer forma é também conteúdo (a separação clássica entre forma e conteúdo é uma inocência platónica que já dificilmente alguém aceita). Por isso creio que nas propostas da sensibilidade emergente se inscreve algo que vai muito além de apenas um estilo.
Não sou paizinho dos meus leitores. Ninguém me contratou para gritar quando o lobo chegar. Posso até estar redondamente enganado. Mas por enquanto sou levado a concluir que na sua maioria as propostas do movimento emergente enfraquecem mais o cristianismo que o enriquecem. E essa é uma conversa para muitos posts futuros.

Thursday, July 03, 2008

A Nova Era Evangélica

Neste fluxo vigoroso de auto-crítica uma das acusações mais frequentes é a da alienação dos evangélicos de uma participação activa na sociedade envolvente, extra-religiosa. Que nos encontramos alheados da cultura, da política ou de uma intervenção social mínima. Daí o peso de palavras como "relevante", "contextualizado" ou "missional". E esta acusação não é desprovida de sentido. É inescapável que os evangélicos, no entusiasmo da sua experiência cristã individualizante, frequentemente fazem da sua comunidade espiritual o único local de convívio ou, pelo menos, olham com demasiada suspeição para os lugares e indivíduos que se encontram para além do conforto seguro da Casa de Oração.
Acontece que, como na maior parte das reacções, se deita o bebé com a água do banho. Aquilo que poderia ser uma admoestação pertinente redundou em abandono de compromisso. Por isso nos entristecemos que grande parte da carreira destes novos líderes evangélicos se fundamente em falar dos pecados da igreja. E culmine infantilmente numa crença de que o mal está no sistema, na instituição, nas formas. Uma tremenda desilusão, que os profissionais da crítica não sejam capaz de uma escassa hora extraordinária para se criticarem a si mesmos. No fim o pecado mora sempre nos outros.
A Nova Era Evangélica pertence ao jovem aborrecido e sibilante nas suas acusações. Quer fazer o trabalho do Exército de Salvação mas sem o uniforme. Nesta desmobilização da juventude o pior não é a sua ingenuidade mas a ausência do seu entusiasmo no preciso local onde cresceu e se formou - a igreja.